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Sobre a impermanência das coisas

  • Foto do escritor: Gabriela Petitot
    Gabriela Petitot
  • 19 de out. de 2023
  • 2 min de leitura

Acompanho a Selminha e suas filhas há mais de um ano nas suas últimas cinco internações. Sempre gostei muito de cuidá-la pois sempre me recebeu com um animado “bom dia, meu amor!”, afetuosa e bem humorada, vaidosa, apesar das adversidades que levam uma pessoa ao hospital. Suas filhas, igualmente carinhosas, contam o quão incrível ela é, a mulher ativa que foi, alto astral, que amava viajar, a mãe gentil e amorosa. Eu acredito plenamente pois esse amor irradia delas, é visível, é palpável.


Apesar de tratar as doenças agudas, as internações vão fragilizando o paciente idoso a cada novo evento, somado à progressão das doenças crônicas. As doenças como a doença de Alzheimer, por exemplo, vão levando aos pouquinhos aquilo que nos torna quem somos. A saúde da Selminha tem ficado cada vez mais debilitada e agora ela já não está mais tão conectada com o ambiente ao seu redor, mas sentindo o amor das pessoas que a cercam.


Tenho conversado muito com suas filhas sobre esse momento delicado, e aprendo tanto com elas! O sofrimento da ideia da perda é inevitável, mas no caso da Selminha essa conversa sempre se dá com um senso de completude da sua missão nesse plano, cheio de significado, com o altruismo de deixar ir porque sabe que é melhor assim.


Vê-las me faz lembrar do senso de impermanência das coisas, muito presente na doutrina budista. A vida é dinâmica, cíclica; tudo que inicia, termina; tudo que nasce, um dia morre. Não há nada de mórbido nisso, é da natureza das coisas. Contemplar a impermanência das coisas nos faz viver com mais significado, intensidade, gratidão e respeito pela natureza e pela preciosidade do curso da vida.


Somos uma mistura de todos que nos tocam ao longo da vida e tenho certeza que essa família excepcional me marcou e me mudou pra sempre. Que privilégio é trabalhar com pessoas nos mais diversos momentos de suas vidas ❤️


Muito mais do que o medo da morte, devemos ter medo de não viver. Quando a gente vive verdadeiramente, com significado, tudo faz sentido!

 
 
 

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